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Lula diz que aproximação com Trump visa respeito ao Brasil e defesa de interesses

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Da redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sua aproximação com Donald Trump segue uma estratégia deliberada e pragmática. Lula concedeu sua primeira entrevista sobre o tema desde o encontro com o americano, ocorrido em 7 de maio na Casa Branca, ao jornal Washington Post, destacando não haver submissão na relação.

No início da reunião, Trump guiou Lula pela galeria de retratos presidenciais. Lula relatou uma troca de brincadeiras sobre a expressão dos líderes nas fotos, ouvindo de Trump que eleitores preferem líderes sérios. “Só durante a eleição”, respondeu Lula, afirmando que governar pode ser mais leve. Para Lula, “se consegui fazer Trump rir, posso conseguir outras coisas também”.

Apesar do tom cordial, Lula declarou ter deixado claras suas discordâncias. Segundo o presidente brasileiro, Trump sabe que ele é contra a guerra com o Irã, discorda de intervenções na Venezuela e condena o “genocídio” na Palestina. Lula defendeu que divergências políticas não interferem na relação institucional: “Quero que ele trate o Brasil com respeito”.

Lula mencionou que crises anteriores na relação bilateral tiveram origem na falta de respeito, como quando foram impostas tarifas às exportações brasileiras e sanções a autoridades do país. Citando ensinamento de sua mãe, reforçou: “Quem abaixa a cabeça pode não conseguir mais erguê-la. O Brasil tem muito orgulho do que é”.

Os presidentes mantiveram contato após o encontro, inclusive por telefone em quatro ocasiões. Trump amenizou tarifas, suspendeu sanções e elogiou Lula. Pesquisa após a visita mostrou que 60% dos brasileiros avaliaram o encontro como positivo para o país, segundo o presidente.

Na reunião, Lula entregou a Trump uma cópia do acordo nuclear intermediado por Brasil e Turquia com o Irã em 2010 e se ofereceu para facilitar o diálogo. Também pediu o fim do bloqueio a Cuba e ressaltou a expansão chinesa na América Latina como um alerta para Washington.