Da redação
A Organização Pan-Americana da Saúde alertou para os riscos à saúde pública associados ao elevado consumo de alimentos ultraprocessados nas Américas, enfatizando o tema durante a Semana de Conscientização sobre o Sal, encerrada neste domingo. O objetivo é alertar sobre os perigos do excesso de sódio na dieta e os desafios enfrentados pela região.
Segundo Erika Campana, presidente do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o consumo excessivo de sal aumenta a retenção de líquidos e eleva a pressão arterial, sobrecarregando coração, vasos sanguíneos, rins e cérebro. Isso pode aumentar o risco de infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e doença renal. Campana ressalta que “a pressão alta muitas vezes não dá sintomas”.
A maior parte do sódio ingerido pela população provém de alimentos industrializados, como embutidos, temperos prontos, macarrão instantâneo, salgadinhos e refrigerantes, conforme aponta a especialista. Orienta-se a redução no consumo desses ultraprocessados e a substituição por temperos naturais, como alho, cebola, ervas e limão, antes de adicionar mais sal às refeições.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o consumo diário máximo recomendado para adultos é de 2.000mg de sódio, aproximadamente uma colher de chá. Entretanto, o consumo populacional está muito acima do recomendado. Fabio da Silva Gomes, assessor em nutrição da Opas, destaca que quase 80% do sódio ingerido vêm de alimentos industrializados, e não apenas do sal adicionado à mesa.
Gomes afirma que políticas como rótulos de advertência na parte frontal das embalagens são fundamentais para informar os consumidores sobre produtos com alto teor de sódio. Ele aponta também que a indústria alimentícia tem buscado atrasar ou enfraquecer essas medidas, questionando pesquisas científicas ou recorrendo à Justiça contra regulações mais restritivas.
A substituição do sal comum por versões como o rosa ou o marinho não resolve o problema, pois todos possuem, majoritariamente, cloreto de sódio. Países como Argentina, México e Colômbia já implementaram regulações sobre o uso de sal em industrializados, e estudos mostram redução na aquisição desses produtos. A Opas segue alinhada à meta da OMS de diminuir em 30% o consumo de sal na população.






