Da redação
A 79ª Assembleia Mundial da Saúde começou nesta segunda-feira em Genebra, com a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertando para desafios agravados por tensões geopolíticas, crises econômicas e recentes cortes “severos” de financiamento. O diretor-geral Tedros Ghebreyesus pediu ação coletiva diante da ameaça de novos surtos biológicos, como o ebola e o hantavírus.
Durante seu discurso de abertura, Ghebreyesus detalhou que o cenário internacional é marcado por múltiplos conflitos armados, mudanças do clima e redução da ajuda, agravando a vulnerabilidade das populações mais frágeis. O chefe da OMS citou o “efeito cumulativo e arrasador” dessas crises, ressaltando pressões extremas sobre os sistemas de saúde.
Segundo Ghebreyesus, a OMS enfrenta um período difícil devido a cortes bruscos e rápidos no financiamento, o que levou a uma reestruturação interna da agência. Ele alertou que o surto de ebola na República Democrática do Congo (RD Congo) foi declarado como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional neste domingo, agravando o contexto.
De acordo com investigadores, o vírus Bundibugyo se espalha silenciosamente há semanas ou meses na RD Congo, já somando pelo menos 10 casos confirmados em laboratório. O número de possíveis infecções supera 390 pacientes em rastreamento e os óbitos ultrapassam 100. A taxa de letalidade do Bundibugyo varia entre 25% e 50%, sem vacinas ou tratamentos aprovados até o momento.
A infecção já cruzou fronteiras, com dois pacientes confirmados entrando em Uganda. Ambos os países declararam estado de surto epidemiológico. Tedros destacou a complexidade da transmissão, inclusive com registros de mortes entre profissionais de saúde, indicando disseminação em ambientes clínicos e risco de colapso dos sistemas locais.
Entre as reformas da OMS, segundo Tedros, estão o reforço da inteligência epidemiológica, melhorias na preparação pós-Covid-19 e a adoção de um orçamento mais estável. Ele defendeu mais descentralização e destacou o programa “Accra Reset” do Gana, que busca fortalecer a produção local. A abertura incluiu mensagem em vídeo do secretário-geral da ONU, António Guterres, apoiando as reformas.






