Da redação
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) concluiu, nesta segunda-feira (18), relatório sobre a indicação do advogado Otto Lobo para presidir a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Lobo, nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro, ainda será submetido à sabatina no Senado, que depende de decisão da Comissão de Assuntos Econômicos.
O parecer elaborado por Braga afirma que Otto Lobo atende a todas as exigências formais para ocupar o cargo, conforme atestado pelo Ministério da Fazenda, que destacou sua “idoneidade moral e reputação ilibada”. O relator ressaltou em seu texto que a responsabilidade pela escolha do indicado é do governo federal, sem manifestar apoio explícito à indicação.
Lobo teve passagem como presidente interino da CVM, e durante esse período tomou decisões favoráveis ao Banco Master, especialmente ao livrar empresários de um inquérito sobre suposta manipulação do preço das ações da Ambipar. Essas deliberações divergem do entendimento da área técnica do órgão e geraram reações negativas no mercado financeiro.
A indicação do advogado gerou controvérsia nos bastidores. Segundo duas pessoas próximas às negociações, Eduardo Braga se reuniu na semana passada com o presidente Lula, que teria confirmado a manutenção do nome. Havia expectativa de que outro candidato fosse escolhido, mas isso não se concretizou, mesmo após oposição do Ministério da Fazenda à indicação.
A presidência do Senado, atribuída interinamente a Davi Alcolumbre (União-AP), negou participação na escolha de Lobo. Parlamentares relatam que Alcolumbre afirmou não levar o nome à votação sem esclarecimentos sobre a origem da indicação. Informações apuradas apontam apoio nos bastidores de parlamentares ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro; a J&F, citada entre os apoiadores, nega envolvimento.
Otto Lobo é bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, mestre em Direito Comparado pela University of Miami School of Law, doutor em Direito Comercial pela Universidade de São Paulo e possui MBA pela UFRJ. Caso aprovado pelo Senado, seu mandato será válido até 14 de julho de 2027.






