Da redação
A presença ativa dos pais na criação dos filhos e o reconhecimento legal da paternidade estão associadas à redução dos índices de violência contra crianças e adolescentes no Brasil, conforme aponta o Relatório das Paternidades Brasileiras divulgado pelo Instituto Promundo nesta semana. O documento analisa o Índice de Desenvolvimento das Paternidades (IDP) nos estados brasileiros.
De acordo com o estudo, estados que alcançam melhores resultados no IDP também apresentam taxas mais baixas de mortes violentas intencionais entre menores de 18 anos. Santa Catarina e São Paulo figuram entre os estados com os menores índices de violência letal, registrando menos de cinco mortes por 100 mil crianças e adolescentes.
Em contrapartida, Bahia, Ceará, Pernambuco e Espírito Santo concentram taxas mais elevadas de violência, com destaque para a Bahia, que apresenta cerca de 25 mortes por 100 mil, e o Ceará, com aproximadamente 18 mortes por 100 mil habitantes. O relatório indica uma tendência de redução da violência onde há melhor desempenho no desenvolvimento das paternidades.
O documento ressalta, porém, que a relação entre envolvimento paterno e índices de violência não é isolada, apontando diferenças regionais e outros fatores socioeconômicos e de segurança pública que influenciam nos resultados. O IDP avalia quatro indicadores principais, incluindo a divisão do trabalho doméstico e a participação dos pais no pré-natal.
Sobre o impacto do engajamento paternal na saúde, o relatório destaca que o envolvimento desde a gestação favorece taxas mais altas de amamentação e vacinação infantil. O médico Marcus Renato, da UFRJ, afirma: “A mulher amamenta, mas ela não amamenta sozinha. Ela só amamenta se tiver uma rede de apoio e participação do homem”.
O documento propõe ampliação das políticas públicas voltadas à paternidade ativa, como fortalecimento da licença-paternidade e campanhas de conscientização. Segundo o Instituto Promundo, o estímulo ao engajamento dos pais pode reduzir desigualdades de gênero e contribuir para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes no Brasil.






