Da redação
Crianças expostas de forma intensiva a telas na primeira infância apresentam comprometimento no desenvolvimento cognitivo e motor, segundo relatório do Banco Mundial publicado em 2025. O estudo destaca que essa realidade é evidenciada por estatísticas de plataformas como YouTube, onde metade dos vídeos mais assistidos são direcionados ao público infantil.
Especialistas apontam que atos de brincar, conversar e explorar são essenciais para o desenvolvimento das crianças. A substituição dessas interações por dispositivos móveis torna-se um obstáculo para o pleno amadurecimento das capacidades cognitivas e sociais. O relatório enfatiza que o uso excessivo de telas pode atrasar o desenvolvimento lexical, reduzir a atenção, prejudicar a coordenação motora e afetar o sono.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, crianças de dois a cinco anos não deveriam utilizar telas por mais de uma hora diária. Contudo, dados recentes mostram que em países como Malásia, Brasil e China, a maioria das crianças nessa faixa etária excede essa recomendação, com taxas de 91%, 69% e 67%, respectivamente.
Na América Latina e Caribe, apenas 15% das crianças de zero a dois anos frequentam creches, índice inferior aos 43% registrados em nações da OCDE. Horários institucionais incompatíveis com a rotina familiar, longas distâncias e desigualdade na qualidade da oferta educativa dificultam o acesso, conforme apontado por Florencia López Boo, da Universidade de Nova Iorque.
A especialista afirma que, diante da ausência de creches e do acesso facilitado ao smartphone, “criam-se as condições para um cocktail explosivo de ecrãs no autocarro, em casa e até no carrinho de bebé”. Nessa dinâmica, os dispositivos digitais acabam assumindo o papel de cuidador, alerta a pesquisadora.
O relatório do Banco Mundial recomenda a substituição gradual do tempo de tela por alternativas de socialização, campanhas informativas junto às famílias e regulação da indústria digital, visando limitar práticas que incentivam o uso excessivo por crianças, como reprodução automática e algoritmos que estimulam a permanência diante das telas.






