Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a decisão de não liberar socorro federal ao Banco de Brasília (BRB), apesar da solicitação da governadora do Distrito Federal, Celina Leão. Nos últimos dias, lideranças do centrão tentaram intermediar contato entre Celina e Lula, mas o presidente não aceitou o encontro.
Celina recorreu ao presidente da Câmara, Hugo Motta, para tentar viabilizar a audiência com Lula, mas Motta não conseguiu agendar a reunião. De acordo com aliados, o presidente da Câmara já considera que o pedido de ajuda ao Tesouro está descartado pelo governo federal após tentativas frustradas de articulação política.
O BRB enfrenta crise após não publicar as demonstrações financeiras de 2025 até o prazo legal de 31 de março, alegando a necessidade de concluir auditoria forense após perdas bilionárias associadas ao Banco Master. O caso ganhou repercussão com menção ao senador Flávio Bolsonaro no inquérito “Dark Horse”, envolvendo também o dono do Master.
Conforme aliados próximos, Lula tem sido orientado a não se envolver com o BRB diante do contexto político e dos desdobramentos do escândalo. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, manifestou publicamente ser contrário ao auxílio ao BRB. Procurados, nem o Palácio do Planalto nem a governadora Celina Leão responderam aos pedidos de esclarecimento.
O BRB ainda busca alternativas, esperando receber até R$ 3 bilhões de fundo da Quadra Capital e promovendo operações para recompor o caixa. O presidente do BRB, Nelson Souza, garante a interlocutores que o aumento de capital será realizado no prazo. Bancos avaliam que a intervenção do Banco Central pode ser inevitável devido ao tamanho do déficit.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal decidiu encerrar contrato com o BRB, redirecionando depósitos judiciais para a Caixa. O Banco Central, através de Gabriel Galípolo, informou a parlamentares que monitora diariamente a situação e avalia medidas para além da multa pelo descumprimento do prazo legal. Deputados do DF se opõem à privatização ou liquidação da instituição.






