Início Mundo Entidades internacionais revisam diretrizes para resgate de migrantes no mar

Entidades internacionais revisam diretrizes para resgate de migrantes no mar


Da redação

Neste ano, quando se completam 75 anos da Convenção da ONU sobre o Estatuto dos Refugiados, organizações internacionais revisaram o guia de conduta para operações de resgate marítimo. A atualização foi motivada pelo aumento nas tragédias: mais de 3 mil pessoas morreram ou desapareceram em rotas pelo mar no último ano.

O novo material fornece orientações detalhadas para salvamento e desembarque de migrantes e refugiados, respeitando as normas do direito internacional. O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, Arsenio Dominguez, destacou a gravidade da situação: “há uma tragédia humanitária acontecendo nos oceanos, muitas vidas estão sendo perdidas em percursos arriscados”.

Dados da Agência da ONU para Refugiados mostram que a rota do Mediterrâneo é uma das mais perigosas, registrando 1.953 pessoas desaparecidas ou mortas. No Sudeste Asiático, 892 casos ocorreram entre mais de 6.500 refugiados rohingya. Na África Ocidental, 424 pessoas perderam a vida cruzando a rota atlântica.

Elizabeth Tan, diretora da Divisão Internacional de Proteção e Soluções da Acnur, afirmou que o desespero para alcançar segurança leva muitos a arriscar a vida própria e de familiares na ausência de rotas seguras. O novo guia pretende orientar comandantes de navios, armadores, autoridades, seguradoras e demais envolvidos em operações de resgate.

O documento é resultado da cooperação entre Acnur, OMI e Câmara Internacional da Marinha Mercante (ICS). Segundo as entidades parceiras, é essencial o empenho coletivo para evitar novas perdas humanas, destacando que o mar deve ser tratado como espaço humanitário, e operações de resgate precisam ocorrer sem discriminação.

Em 2023, o volume de tentativas de travessias por rotas arriscadas colocou em evidência a necessidade de protocolos claros sobre direitos dos resgatados e deveres de todos os agentes. O guia detalha responsabilidades e reforça a urgência de respostas coordenadas para a crise humanitária em mares internacionais.