Da redação
Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e candidato à Presidência pelo PSD, e Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e candidato do Novo, se reuniram em São Paulo na terça-feira, 26 de maio. Eles discutiram a possibilidade de uma aliança após analisarem pesquisas eleitorais que os colocam empatados com 5% das intenções de voto.
Durante a conversa, ambos reconheceram o desafio de competir contra os líderes nas pesquisas: Lula, do PT, com 40%, e Flávio Bolsonaro, do PL, com 35%. Zema afirmou, em encontro com empresários após a reunião, que a definição de uma possível união deve ocorrer “na data-limite para registro de candidaturas”, mencionando a imprevisibilidade típica do cenário político.
A discussão sobre prazos lembrou episódios passados, como o registro tardio da candidatura de Itamar Franco em Minas Gerais nos anos 1990, cuja decisão foi tomada minutos além do horário-limite após aliados alterarem o relógio da sala. Segundo caiado, o prazo exíguo é decisivo em negociações desse tipo.
Ambos ex-governadores enfrentam o desafio de terem pouca rejeição, mas ainda serem desconhecidos por quase dois terços do eleitorado. Mesmo assim, acabam de concluir gestões aprovadas em grandes colégios eleitorais: Minas Gerais, com 16,4 milhões de eleitores, e Goiás, com 5,1 milhões. Uma chapa com os dois, segundo Caiado, daria “um atestado de credibilidade política” e atenderia parte do eleitorado insatisfeito com as opções limitadas a Lula e Flávio Bolsonaro.
No entanto, conforme apurado, há resistência em ambos os partidos à formação de uma aliança. Se conseguirem formalizar a chapa, os candidatos poderiam ampliar a fragmentação do campo da direita e isolar Flávio Bolsonaro, atualmente apoiado pelo núcleo mais à direita do PL.
Dezoito semanas separam os candidatos da primeira rodada de votação. Ambos concorrem contra nomes consolidados e tradicionais na política nacional. O ex-presidente Lula acumula 36 anos em campanhas presidenciais, enquanto Flávio Bolsonaro tenta manter o peso político da família nas urnas pelo Partido Liberal.




