Da redação
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou, nesta sexta-feira, 29, um relatório afirmando que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar instalada após o golpe civil-militar de 1964. A decisão foi anunciada em Brasília, contestando a versão oficial do falecimento do ex-presidente.
O relatório divulgado pela CEMDP revisa oficialmente as circunstâncias da morte de Juscelino, ocorrida em 22 de agosto de 1976. Até agora, a causa oficial apontava para um acidente automobilístico na via Dutra, entre Rio de Janeiro e São Paulo. O novo documento indica divergências em relação às investigações anteriores.
Segundo a Comissão, a análise de documentos, testemunhos e condições do acidente motivou a reavaliação do caso. O órgão entende que há elementos suficientes para alterar a narrativa previamente aceita pelas autoridades responsáveis pela investigação na época do ocorrido.
A aprovação do relatório representa um passo significativo para a revisão de casos de personalidades políticas afetadas pela repressão durante o regime militar. Integrantes da Comissão afirmam que a decisão foi tomada após “exaustiva análise das provas e depoimentos colhidos ao longo dos últimos anos”.
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos foi criada para examinar casos de mortes ocorridas por motivos políticos entre 1964 e 1985. O parecer do grupo, que inclui especialistas e representantes do poder público, poderá ainda alimentar debates sobre a responsabilidade do Estado em episódios históricos.
A morte de Juscelino Kubitschek foi objeto de diversas investigações oficiais desde 1976. Antes do relatório aprovado nesta sexta-feira, a versão de acidente de carro prevalecia entre as autoridades, sem confirmação de crime pelo Poder Judiciário. Juscelino presidiu o Brasil entre 1956 e 1961.






