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Auditoria revela bloqueio de resgate milionário e amplia suspeitas sobre investimentos da Cedae

Por Alex Blau Blau

Documento aponta que ordem para retirada de recursos foi interrompida e pode ter contribuído para aumento dos prejuízos em aplicações financeiras da companhia estadual

Uma auditoria interna realizada na Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro identificou que uma tentativa de resgate de R$ 44 milhões em investimentos financeiros foi interrompida por determinação de integrantes da área responsável pelas aplicações da empresa. A conclusão faz parte de um relatório elaborado pela atual gestão da companhia, que investiga operações realizadas durante a administração anterior.

Segundo o documento, o pedido para retirada dos recursos foi formalizado pelo setor financeiro da empresa em maio de 2025. No entanto, pouco tempo depois da emissão da ordem, o procedimento foi cancelado por decisão de um assessor ligado à Diretoria de Investimentos. A quantia fazia parte de um conjunto de aplicações que somavam aproximadamente R$ 200 milhões.

As investigações internas também apontaram que órgãos de controle da própria companhia passaram a emitir alertas após tomarem conhecimento dos investimentos, recomendando atenção aos riscos envolvidos. Mesmo diante das manifestações registradas em reuniões e documentos oficiais, os recursos permaneceram aplicados.

De acordo com a apuração, a condução das operações financeiras ocorreu sem o compartilhamento integral das informações com outros setores da empresa. O relatório atribui à Diretoria Financeira a responsabilidade pelos atos que permitiram a realização dos investimentos e destaca que reuniões com representantes da instituição financeira teriam ocorrido sem o devido conhecimento dos demais órgãos de governança da companhia.

Outro ponto destacado pelos auditores envolve alterações em critérios internos para aprovação de investimentos. A investigação indica que mudanças em exigências técnicas relacionadas à classificação de risco foram realizadas após contatos entre representantes da instituição financeira e integrantes da área financeira da estatal.

O relatório foi encaminhado ao governador em exercício, Ricardo Couto, e servirá de base para uma apuração mais aprofundada sobre a atuação de ex-dirigentes e assessores envolvidos no processo. A atual presidência da companhia também recomendou o envio das conclusões para órgãos de fiscalização e controle, incluindo Ministério Público, Tribunal de Contas, Comissão de Valores Mobiliários e Procuradoria Geral do Estado.

Com a abertura de novas frentes de investigação, o caso poderá resultar em responsabilizações administrativas, civis e eventualmente criminais, dependendo das conclusões dos órgãos competentes.