Da redação
A Embrapii ICMC-USP, em parceria com a startup Infantia, lançou o aplicativo Infantia Online, que utiliza inteligência artificial para analisar conteúdos textuais produzidos e consumidos por crianças e adolescentes em ambientes digitais. O lançamento ocorreu em São Carlos, com objetivo de apoiar famílias na identificação de riscos online.
De acordo com dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 92% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos utilizam a internet no país, enquanto 28% acessam redes pela primeira vez antes dos seis anos de idade. O estudo mostra ainda que um em cada cinco jovens entre 11 e 17 anos já recebeu mensagem ou conteúdo inadequado online.
O aplicativo, desenvolvido com grandes modelos linguísticos (Large Language Models – LLMs), tem coordenação do professor Luís Gustavo Nonato, do ICMC-USP, referência internacional em ciência de dados e inteligência computacional. Nonato afirma que a ferramenta visa “melhorar a identificação de sinais e comportamentos relevantes na rotina digital de crianças e adolescentes, oferecendo aos responsáveis mais clareza e suporte”.
Segundo a equipe do projeto, a tecnologia empregada permite identificar temas sensíveis como bullying, agressão, automutilação, drogas e violência, além de alterações linguísticas e pedidos indiretos de ajuda. Quando o sistema detecta situações potencialmente preocupantes, são gerados alertas aos responsáveis para ações preventivas.
O aplicativo coleta dados anonimizados diretamente dos dispositivos utilizados por crianças e adolescentes. Esses dados são processados em ambiente seguro, e os responsáveis recebem avisos caso sejam detectados conteúdos delicados ou mudanças significativas de comportamento digital.
A proposta conta com apoio de psicólogos e pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e pretende transformar sinais digitais complexos em orientações práticas para o cotidiano das famílias. O projeto destaca ainda os benefícios do modelo de inovação colaborativa da Embrapii, que aproxima empresas e universidades para criar soluções de impacto social.





