Da redação
Deputados do PSOL e da Rede protocolaram nesta semana uma representação na Procuradoria-Geral da República solicitando investigação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, por possível atentado à soberania nacional. O pedido foi motivado pela atuação do parlamentar junto ao governo Donald Trump em 26 de março, em Washington.
Segundo a representação, Flávio Bolsonaro esteve com Donald Trump e, posteriormente, reuniu-se com o secretário de Estado, Marco Rubio, defendendo a designação das facções criminosa PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas globais. Após esses encontros, o governo Trump anunciou a classificação, medida que vinha sendo avaliada há meses.
Os parlamentares, entre eles Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Heloísa Helena (Rede-RJ), afirmam que a atuação do senador configura estímulo à intervenção dos EUA em assuntos internos do Brasil. Segundo os deputados, tal atitude poderia representar afronta à soberania nacional, especialmente pelo possível impacto sobre o sistema financeiro e a integridade do país.
O documento cita reportagem internacional, segundo a qual a decisão americana teria sido influenciada “após meses de lobby agressivo dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro”. Os deputados destacam ainda que a Constituição Federal atribui ao Presidente da República a competência exclusiva para conduzir relações externas, e que atos como esse configurariam, em tese, invasão dessa prerrogativa.
Os parlamentares pedem à PGR a abertura de inquérito policial federal e solicitação de medidas administrativas e civis cabíveis. Também requerem o envio das informações ao Tribunal Superior Eleitoral para apuração de eventual abuso de poder ou influência estrangeira comprovada sobre o processo eleitoral brasileiro.
Em nota, o coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho, declarou: “Se o crime que nos acusam é o de buscar apoio de nações amigas para asfixiar as finanças das facções e unir forças para proteger a população do terror e da violência, assumimos essa culpa com convicção.”





