Da redação
O governo dos Estados Unidos classificou o Comando Vermelho (CV) como organização terrorista na quinta-feira (28), em um contexto de expansão da atuação da facção pelo Brasil. O grupo tem ampliado sua influência, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, segundo investigações policiais e estudos de institutos de segurança pública.
Levantamentos do Instituto Fogo Cruzado e do GENI-UFF indicam que o CV foi a facção que mais expandiu áreas de influência na região metropolitana do Rio de Janeiro nos últimos anos, avançando principalmente sobre territórios antes controlados por milícias e grupos rivais. O crescimento tem afetado a rotina da população, com o fechamento de escolas, paralisação do transporte público e aumento da sensação de insegurança.
Relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que a expansão do Comando Vermelho também se intensificou na Amazônia Legal, impulsionada por rotas internacionais do tráfico de cocaína vindas da Colômbia e do Peru. Além do tráfico, investigações identificaram atuação do grupo no garimpo ilegal, exploração de madeira e controle de rotas fluviais.
No Nordeste, a facção avançou por meio da incorporação de grupos regionais e formação de alianças locais. De acordo com o sociólogo Luiz Fábio Paiva, o modelo de expansão do CV é diferente do PCC: “O CV cresceu muito mais pelas suas ideias e pela capacidade de incorporar grupos locais. Por isso você não vê um PCC do Ceará, mas vê um CV do Ceará”.
As disputas por território têm provocado aumento da violência em estados como Ceará e Rio Grande do Norte. No Rio Grande do Norte, a ruptura da aliança entre o CV e o Sindicato do Crime resultou em confrontos na Grande Natal e municípios do interior. Em ações recentes, policiais prenderam dez suspeitos ligados ao núcleo de homicídios da facção rival.
No Rio de Janeiro, operações policiais contra o Comando Vermelho resultaram em 122 mortos em uma etapa da Operação Contenção no Complexo da Penha. Desde março de 2023, segundo a Polícia Civil, mais de 345 suspeitos foram presos, 137 morreram em confrontos, e 477 armas foram apreendidas, incluindo 190 fuzis e 51 mil munições.





