Por Luciano Lima
É desolador assistir o Governo Lula e parte da imprensa gastar uma imensa energia para criticar a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, realizada pelo governo dos Estados Unidos.
E as desculpas orquestradas são as mesmas: a defesa da soberania nacional e a defesa das empresas e do sistema financeiro. Será que vamos ter que desenhar que o Brasil não tem um simples problema de segurança e sim de soberania? Será que vamos ter que desenhar que quanto mais demorar para reconhecer, mais caro vai custar reconquistar o que deixou escapar?
Essa turma só esquece que quando se faz a defesa patética do “respeito à soberania”, está pedindo para ignorarmos o sofrimento de milhões de famílias, em várias regiões do país, que perderam a dignidade e vivem “escravizadas” pelo medo imposto por essas facções narcoterroristas.
Quando o governo Lula e parte da imprensa brasileira fazem a defesa intransigente das empresas e bancos, supostamente envolvidos com PCC e CV, estão pedindo para esquecermos o dinheiro sujo, manchado de sangue, que custou a vida de milhares de brasileiros, inclusive de policiais mortos no combate a essas facções narcoterroristas.
Fato é que “nossos criminosos” estão ganhando, de forma assustadora e acelerada, mais espaço em todos setores da nossa sociedade a cada ano que passa. O que os defensores da “soberania nacional” fingem não lembrar é que a partir do momento que as facções criminosas criam um estado dentro de outro estado, há perda de soberania.
Os territórios ocupados hoje pelo PCC e pelo Comando Vermelho são territórios onde as forças de segurança e o Estado não conseguem mais ter o controle. Isso é terrorismo!
É ainda importante lembrar para os “analistas de ar-condicionado” que a distinção entre segurança pública e defesa da soberania não é apenas um detalhe acadêmico. Tratar o PCC e o CV como problemas somente de polícia é o mesmo que usar apenas um curativo em um ferimento que precisa de cirurgia.
Tenho a absoluta certeza que é desconfortável o espelho que os Estados Unidos colocaram na frente do Brasil. Não se trata de aceitar tutela estrangeira ou engolir uma classificação feita a partir de interesses geopolíticos. Foi urgentemente necessário para que o Estado reconheça suas fragilidades e incompetência.
*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista







