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Presidente do BC do Japão admite possível alta de juros diante de pressão inflacionária


Da redação

O Banco do Japão pode elevar a taxa de juros caso a inflação represente risco maior à economia do que a possibilidade de desaceleração do crescimento. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 3, pelo presidente do banco central japonês, Kazuo Ueda, durante discurso em Tóquio.

Kazuo Ueda afirmou que, mesmo diante das incertezas no Oriente Médio, o banco irá “discutir cuidadosamente os prós e contras de elevar a taxa de juros de política monetária” se considerar que os riscos para alta de preços superam os de queda na atividade econômica. Ele enfatizou que o ritmo das elevações será apropriado para o cenário atual.

As declarações aumentaram as expectativas do mercado em relação a uma possível elevação dos juros já na próxima reunião do conselho do BoJ, prevista para junho. Segundo cálculos dos mercados realizados antes do discurso, a probabilidade de uma alta de juros ainda neste mês superava 80%.

O conselho de política do Banco do Japão tem demonstrado inquietação com o impacto dos choques de energia, decorrentes das tensões no Oriente Médio, sobre a inflação do país. Ueda destacou que os riscos altistas para os preços podem se concretizar antes dos efeitos negativos na atividade econômica.

O presidente ressaltou que o atual ciclo favorável de salários e preços, associado a juros reais negativos, tem potencializado o efeito da alta do petróleo sobre a inflação subjacente. Ueda observou ainda que as empresas japonesas adotaram recentemente estratégias mais agressivas de precificação, o que pode acelerar o repasse dos custos aos consumidores.

Indicadores recentes, como o PMI composto de maio da S&P Global, registraram intensificação das pressões de custo, com os preços de insumos subindo no ritmo mais forte em 43 meses. Paralelamente, o iene permanece sob pressão, mesmo após intervenção recorde do governo japonês nos mercados de câmbio no último mês.