Início Mundo Sanções dos EUA levam redes hoteleiras internacionais a encerrar operações em Cuba

Sanções dos EUA levam redes hoteleiras internacionais a encerrar operações em Cuba


Da redação

A dois dias do fim do prazo estabelecido pelo governo dos Estados Unidos para que empresas estrangeiras cessem vínculos com o conglomerado cubano Gaesa, diversas companhias já anunciaram o encerramento ou a redução significativa de suas atividades em Cuba, conforme determinação que passa a vigorar nesta sexta-feira, dia 5.

Em 1º de maio, o presidente americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva ampliando sanções contra Cuba. O documento reforça que a ilha, localizada a 150 quilômetros da Flórida, representa, segundo o governo dos EUA, “uma ameaça extraordinária” à segurança nacional. Desde janeiro, a administração Trump já impunha restrições à importação de petróleo cubano.

As medidas atingem principalmente o Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), ligado às Forças Armadas cubanas, que está entre as primeiras entidades sancionadas pela nova ordem. O Ofac, órgão do Departamento do Tesouro americano, fixou o dia 5 como prazo final para empresas estrangeiras ajustarem operações ou ficarem sujeitas a sanções, que incluem bloqueio de ativos e restrições ao sistema financeiro internacional.

No setor hoteleiro, grandes redes anunciaram saída ou redução da atuação na ilha. A espanhola Meliá informou nesta quarta-feira (3) o encerramento imediato da gestão de 15 hotéis mantidos com o Gaesa, citando “acontecimentos e circunstâncias do contexto geopolítico, social, jurídico e econômico de Cuba”. A Meliá segue com 19 hotéis em parceria com o Ministério do Turismo cubano.

Outras redes confirmaram decisões semelhantes. A espanhola Iberostar suspendeu a administração de 12 hotéis operados com o Gaesa, mantendo outras seis unidades. A canadense Blue Diamond informou que deixará completamente o país devido à situação do setor. O grupo asiático Archipelago International também avalia reduzir ou encerrar sua atuação em Cuba.

Na área de mineração, a canadense Sherritt foi a primeira estrangeira a anunciar, em 7 de maio, a saída do país, encerrando operações de níquel e cobalto mantidas desde a década de 1990. Conforme estimativa do economista cubano Daniel Torralbas, o impacto econômico da saída dessas companhias “transforma 2026 no pior ano da história econômica de Cuba nos últimos 70 anos”.