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Centros de dados de IA podem consumir até 9,3 trilhões de litros de água


Da redação

A rápida expansão da Inteligência Artificial tem elevado significativamente o consumo mundial de energia, água e solo, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pela Universidade das Nações Unidas. A análise, considerada a mais abrangente sobre o tema, aponta impactos ambientais crescentes de centros de dados, infraestrutura essencial para a tecnologia, em escala global.

O levantamento detalha que, apenas em 2025, os centros de dados devem registrar consumo de 448 terawatts-hora de eletricidade, valor que posicionaria esse setor como o 11º país mais consumidor, caso fosse uma nação. A projeção é de quase dobrar essa demanda, alcançando 945 terawatts-hora até 2030, superando amplamente países populosos como Paquistão, Bangladesh e Nigéria juntos.

O relatório também enfatiza o consumo anual de 9,3 trilhões de litros de água por esses centros, volume suficiente para suprir todas as necessidades básicas de 1,3 bilhão de pessoas na África Subsaariana durante um ano. “Captações em larga escala podem sobrecarregar aquíferos e sistemas fluviais, particularmente em regiões áridas”, alertam os pesquisadores.

Com relação ao solo, a expansão dos centros de dados ocupa cerca de 14.500 quilômetros quadrados, área 18 vezes maior que a cidade de Nova Iorque. A emissão associada a esse setor chega a 399 milhões de toneladas anuais de dióxido de carbono, demanda que, para ser compensada, exigiria o plantio de 6,7 bilhões de árvores.

O treinamento de modelos como o ChatGPT-5 ilustra a dimensão dos recursos envolvidos. Estima-se que a preparação dessa IA utilize 100 GWh de eletricidade, equivalente ao consumo anual residencial de 770 mil pessoas na África Subsaariana, além de consumir 1 bilhão de litros de água e ocupar área de 1,5 km².

Os impactos abrangem também o descarte de equipamentos, com previsão de 2,5 milhões de toneladas métricas de lixo eletrônico gerados anualmente até 2030. O relatório revela ainda que apenas 32 países concentram infraestrutura avançada de nuvem para IA, dos quais Estados Unidos e China detêm 90%, aprofundando desigualdades digitais e ambientais globais.