Início Brasil Justiça de MG decide manter preso argentino acusado de racismo contra criança

Justiça de MG decide manter preso argentino acusado de racismo contra criança


Da redação

A Justiça de Minas Gerais manteve preso Eduardo Ignacio, turista argentino de 63 anos, suspeito de fotografar uma criança em um trem turístico e enviar imagens com comentários racistas via aplicativo. A decisão do juiz Renan Bueno Ribeiro foi divulgada ontem, em razão do risco de fuga e possível prejuízo às investigações.

Segundo os advogados envolvidos, o caso segue sob sigilo. A defesa apresentou habeas corpus, alegando que o acesso ao conteúdo do celular do acusado foi realizado sem autorização judicial. “O conteúdo do aparelho telefônico de meu cliente foi acessado sem autorização”, afirmou Ciro Chagas, advogado de Ignacio.

O defensor também argumenta que as mensagens teriam circulado em ambiente privado e não foram dirigidas à vítima ou à família. “A injúria, por definição, exige que a ofensa chegue ao conhecimento da vítima por ato de quem a profere, e isso não ocorreu”, declarou Chagas. Ele ainda defende medidas alternativas à prisão, como retenção de passaporte.

Chagas informou que seu cliente teria sido agredido dentro do presídio e que, segundo ele, isso não foi considerado fato novo pelas autoridades. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais foi questionado sobre o caso, mas ainda não respondeu. A defesa reafirma que Ignacio entrou no Brasil regularmente e colaborou com as investigações.

O advogado da família da criança, Gilberto Silva, apoiou a manutenção da prisão e destacou que a decisão é um passo importante para afirmar a aplicação da lei antirracista no Brasil. Segundo Silva, a criança passa por acompanhamento psicológico devido ao ocorrido e a família pretende pedir indenização por danos morais à companhia de trens envolvida.

O episódio ocorreu em maio, na Maria Fumaça que liga Tiradentes a São João del Rei, no Campo das Vertentes. Passageiros avisaram a mãe da criança sobre o ocorrido. O homem foi contido até a chegada da polícia e preso em flagrante pelos crimes de racismo e injúria racial, segundo a Polícia Civil de Minas Gerais.