Da redação
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) emitiu em 11 de junho um alerta sobre o avanço do surto de ebola no leste da República Democrática do Congo. Conforme o órgão, as autoridades de saúde temem aumento significativo do número de crianças afetadas nos próximos dias, dada a rápida disseminação doméstica do vírus.
Até a presente data, o país contabiliza 676 casos confirmados e 136 mortes pelo ebola. Conforme as estimativas da agência das Nações Unidas, as crianças já representam entre 14% e 17% das infecções, cenário agravado por fatores como desnutrição crônica, baixas taxas de vacinação, conflitos armados e sistema de saúde precário.
A resposta ao surto envolve múltiplas frentes, incluindo o envio de suprimentos essenciais, equipes de saúde, apoio psicossocial e cuidados infantis sob coordenação do Unicef. O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, enfatizou a parceria estratégica com o Programa Mundial de Alimentos para viabilizar infraestrutura logística e garantir o abastecimento nutricional das comunidades e equipes envolvidas.
Segundo Douglas Noble, líder global do Unicef para Emergências de Saúde Pública, durante visita recente ao Hospital de Rwampara em Bunia, profissionais de saúde relataram redução na procura por atendimento rotineiro por medo do contágio. Noble afirmou que “o surto começa a ceifar vidas que ele sequer tocou diretamente”, diante da diminuição das vacinas e do tratamento de outras doenças.
O surto já ultrapassou as fronteiras da RD Congo e alcançou Uganda, onde também foram iniciadas operações de resposta imediata. Olivier le Polain, especialista da OMS, apontou expansão geográfica da doença, que já se disseminou por 34 zonas de saúde nas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, cobrindo cerca de mil quilômetros.
A OMS ressalta que a dimensão real do surto deve ser superior ao registrado, com 17 zonas consideradas de alto impacto e deficientes em vigilância epidemiológica. Entre os principais desafios estão a alta mobilidade populacional, violência causada por conflitos e a fragilidade dos sistemas locais de saúde, dificultando acesso e resposta humanitária eficaz.





