Da redação
A crescente demanda mundial por minerais críticos levou governos a adotar novas políticas para garantir o acesso a esses recursos essenciais à transição energética. Segundo análise divulgada pela Unctad nesta sexta-feira, a concentração da oferta e do processamento em poucos países intensificou a competição global pelo controle dessas cadeias produtivas.
Minerais como cobre, níquel, lítio, cobalto e elementos de terras raras são fundamentais para veículos elétricos, baterias, energias renováveis, semicondutores e data centers de inteligência artificial. A Unctad projeta que a procura por lítio suba mais de 350% até 2040, enquanto a demanda por grafite pode crescer acima de 130%.
A agência destaca que a questão ultrapassa o aumento da procura, envolvendo também a localização da oferta e o controle do processamento, estágios em que maior valor econômico é gerado. Em 2025, a República Democrática do Congo respondeu por 74% da produção mundial de cobalto, enquanto a China concentrou 78% do grafite e liderou o refino de diversos minerais críticos.
Países ricos em recursos, segundo o relatório, continuam exportando majoritariamente matérias-primas, enquanto etapas de maior valor agregado ocorrem no exterior. Para mudar esse panorama, desde 2020 quase 100 medidas de controle de exportação foram implementadas, com destaque para ações de República Democrática do Congo, China e Indonésia, que adotaram licenças, impostos e proibições.
Além de restrições comerciais, houve forte crescimento de acordos internacionais ligados ao setor. Desde 2022, foram identificadas 73 parcerias formais sobre minerais críticos, sendo 58 assinadas nos últimos quatro anos. Esses acordos abrangem etapas da exploração à reciclagem e visam fortalecer cadeias de valor integradas.
A Unctad alerta para o risco de um sistema global fragmentado, com múltiplos acordos, normas e padrões sobrepostos, o que pode dificultar investimentos e complicar decisões estratégicas para países em desenvolvimento. A instituição sugere que modelos mais coordenados podem favorecer a previsibilidade do comércio e agilizar a transição energética.





