Da redação
O filme “Dark Horse”, produzido em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, teve custo total declarado de US$ 13,4 milhões, cerca de R$ 75 milhões. A perícia foi contratada pela defesa da Go Up Entertainment e anexada em junho de 2026 a inquérito policial que apura suposto uso de verbas públicas na produção.
Segundo a investigação, a suspeita é de desvio de recursos provenientes de um contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é dona da produtora do filme. A defesa apresentou uma “perícia investigativa preventiva” para afirmar que não houve uso de recursos públicos, conforme os documentos analisados.
O gasto com a produção nacional entre junho de 2025 e junho de 2026 foi de R$ 20,9 milhões, enquanto os custos nos Estados Unidos chegaram a US$ 9,6 milhões, equivalendo a R$ 54,2 milhões. O valor total representa cerca de 56% dos R$ 134 milhões inicialmente ventilados em tratativas envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
O laudo destaca o papel do Havengate Development Fund LP, dos Estados Unidos, que fez contrato de investimento em 24 de fevereiro de 2025. De acordo com a perícia, o fundo investiu US$ 13,3 milhões, mesmos valores declarados como custo total do filme, e os aportes analisados têm origem privada.
O nome de Daniel Vorcaro e de outros possíveis financiadores não aparece nos documentos periciados. No entanto, Vorcaro teria destinado R$ 61 milhões ao longa, e a Polícia Federal também apura se recursos repassados por ele financiaram despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Ambos negam irregularidades.
A reforma do laudo indica que não foram identificados incentivos fiscais, uso da Lei Rouanet ou recursos da Prefeitura de São Paulo. O ICB possui contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura para fornecimento de wi-fi. Rodrigo Raveli Bolzan, ex-sócio de empresa investigada, foi afastado da SPTuris. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que todo o projeto foi feito de forma privada.





