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Número de candidatas cresce dez vezes, mas mulheres ocupam só 18% das vagas


Da redação

O número de mulheres candidatas à Câmara dos Deputados aumentou de 358 em 1998 para 3.668 em 2022, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 16, pelo Portal da Classe Política do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Representação e Legitimidade Democrática (INCT-ReDem), da Universidade Federal do Paraná. Entretanto, a representação feminina eleita cresceu em menor ritmo.

O levantamento aponta que, em 2022, mulheres ocuparam 17,5% das vagas da Câmara dos Deputados e 17,8% das cadeiras nas assembleias estaduais, os maiores percentuais desde o início da série histórica, mas ainda inferiores a um quinto do total de parlamentares. Em 1998, apenas 29 deputadas federais foram eleitas, número que subiu para 90 em 2022.

Nas assembleias legislativas estaduais, o cenário é semelhante. Apesar de apresentarem historicamente uma participação feminina um pouco maior que a da Câmara, atualmente os dois níveis convergem para cerca de 18% de ocupação por mulheres. O índice, porém, permanece abaixo da paridade de gênero e do mínimo de 30% exigido para candidaturas.

De acordo com o estudo, a Lei das Cotas de Gênero e a Minirreforma Eleitoral, que reservaram ao menos 30% das candidaturas proporcionais para cada gênero, contribuíram para o aumento das inscritas. No entanto, pesquisadores destacam que a legislação ainda não assegura igualdade de condições na disputa eleitoral.

O cientista político Nilton Sainz, responsável pelo Portal da Classe Política, afirma que o baixo número de eleitas resulta de fatores como controle partidário dos recursos, desigualdade no financiamento, limitação da participação feminina em cargos decisórios e uso de candidaturas “laranjas”. Sainz pontua: “quando as mulheres são excluídas dos espaços de poder, suas vozes são silenciadas”.

Segundo a equipe do INCT-ReDem, a baixa presença de mulheres no Legislativo impacta o debate público e temas como violência de gênero, política de saúde e educação infantil. O Portal da Classe Política organiza dados do Tribunal Superior Eleitoral de 14 eleições desde 1998, permitindo análises sobre candidaturas, eleitos, patrimônio, financiamento e reeleição em todos os níveis.