Início Política Lula pede mais compromisso dos países ricos para combater desigualdades no G7

Lula pede mais compromisso dos países ricos para combater desigualdades no G7


Da redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta terça-feira, 16 de maio, maior engajamento dos países ricos para combater as desigualdades globais. A declaração foi feita durante a Cúpula do G7, realizada em Évian, na França, onde Lula participou como convidado para debater o tema com líderes internacionais.

Em sua fala, Lula destacou que a distância entre a prosperidade das economias avançadas e a realidade enfrentada por bilhões no Sul Global permanece, sem sinais de redução. Ele afirmou que “os desafios globais se multiplicam enquanto a solidariedade internacional encolhe”, ressaltando a necessidade de corrigir assimetrias do sistema atual.

Segundo o presidente, em 2022, a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento registrou queda histórica de 23%. Lula também mencionou cortes de aproximadamente 40% no financiamento do Programa Mundial de Alimentos, além de reduções de mais de 20% nos orçamentos da Organização Mundial da Saúde e do UNICEF.

Lula relacionou esse quadro às guerras e conflitos, afirmando que desviam o foco da agenda de desenvolvimento. O presidente destacou que “os gastos militares anuais somam quase US$ 3 trilhões”, recurso que, segundo ele, poderia impactar positivamente milhões de pessoas sem acesso básico à alimentação, educação e saúde.

O presidente lembrou ainda que os países em desenvolvimento transferem anualmente US$ 1,4 trilhão em serviço da dívida, valor que representa sete vezes a ajuda recebida das nações ricas. Lula avaliou que o desafio central está em superar o “déficit de implementação e de vontade política”, e não apenas administrar a escassez.

Durante o discurso, Lula criticou políticas como desregulamentação dos mercados, Estado mínimo e austeridade, além de citar o aumento do protecionismo e do unilateralismo diante das crises. Ele recordou ter participado de outras nove edições do G8 ou G7 desde 2003 e destacou que os desafios globais persistem sem respostas coletivas duradouras.