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André Mendonça e Gilmar Mendes têm embate durante julgamento na Segunda Turma do STF


Da redação

O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, fez declarações contundentes nesta terça-feira, 16, durante julgamento na Segunda Turma do STF, em Brasília. Mendonça, relator do chamado caso Master, protagonizou debates acalorados com Gilmar Mendes, abordando métodos de investigação e posturas em relação a delações e a atuação do Judiciário.

No início do julgamento, Mendonça relatou que recebeu de um advogado uma proposta de “delação seletiva”, classificando a atitude como “perda de pudor”. O ministro afirmou que não aceita esse tipo de colaboração. “Delação seletiva comigo não”, declarou a Gilmar Mendes durante a sessão, insistindo na integridade da condução dos procedimentos.

Ainda durante o debate, André Mendonça ressaltou que não age para satisfazer a opinião pública. Segundo ele, sua atuação é pautada por princípios institucionais. “Não ajo por pressão da mídia, nem busco a mídia. Não tenho grupos de mídia. Não dou entrevistas. Não busco ser estrela. Sou um servidor público”, frisou.

O ministro também se manifestou sobre a condução das investigações no caso Master. Ele enfatizou que determina prisões apenas em situações estritamente necessárias, afirmando: “Não se prende para delação. Não dormiria tranquilo se fizesse isso. Se prende quem está praticando crime, obstruindo a Justiça, tentando ocultar provas ou quando há continuidade delitiva.”

André Mendonça informou que recentemente determinou a quebra de dados do iCloud referentes a Daniel Vorcaro, conhecido como “Sicário”, que morreu na prisão. Segundo o ministro: “Vamos ver o que virá de lá, o que deixou armado o Sicário. Eu não sei.” Sobre a relatoria, reforçou não admitir tentativas de desacreditar a atuação de magistrados e investigadores.

Durante a sessão, Mendonça afirmou que faz questão de publicar suas decisões como forma de permitir a crítica da sociedade, ressaltando que algumas decisões podem permanecer sob sigilo, acessíveis apenas a magistrados. O ministro declarou: “A investigação, no que depender de mim, seguirá seu curso.”