Da redação
O presidente Lula trabalha para reconstruir o diálogo com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, após um período de afastamento iniciado com a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A retomada da relação ocorre em meio a investigações envolvendo Alcolumbre e tem o objetivo de evitar votações de pautas que fragilizem o governo no Congresso.
Conforme apurado, Lula pretende destravar três propostas consideradas prioritárias antes do recesso parlamentar, que começa em 17 de julho: a extinção da jornada de trabalho 6×1 sem redução de salário, a PEC da Segurança e a regulamentação da exploração de terras raras no Brasil. Evitar que projetos indesejados avancem é visto como estratégico pelo governo.
Em gesto de reconciliação, Lula orientou, nesta terça-feira, 16, a retirada do regime de urgência do projeto sobre o fim da escala 6×1 que tramita na Câmara. O ato facilitou um possível encontro com Alcolumbre, sem pressionar o Senado com prazos constitucionais. O presidente pode convidar o senador para uma conversa ainda nesta semana.
Por parte do Congresso, Alcolumbre mostrou disposição ao concordar, em conversa com o senador Paulo Paim, com a realização de um amplo debate sobre a escala de trabalho no dia 1º de julho, incluindo a participação de centrais sindicais. Há cerca de um mês, o Senado já havia escutado representantes da indústria sobre o tema.
O governo avaliou esse movimento como sinal positivo, após ter sofrido derrotas recentes em pautas contrárias aos seus interesses, com protagonismo de Alcolumbre. Na mesma terça, o presidente do Senado negou em plenário ter recebido recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, como apontou reportagem publicada ao final da semana anterior.
Lula também informou, de acordo com aliados, que pretende reenviar ao Senado a indicação de Messias para o STF. Com o distanciamento entre as lideranças, outras articulações para o Supremo foram suspensas e, segundo interlocutores, a indicação poderá integrar a agenda do encontro entre Lula e Alcolumbre.





