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Comunicado do Copom tem 847 palavras e gera dúvidas, FED usa 140 com clareza


Da redação

A diretoria colegiada do Banco Central divulgou nesta quarta-feira, 17, o comunicado da reunião do Copom que reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano. O texto extenso e considerado confuso pode impactar a credibilidade do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, à frente da instituição.

Segundo o economista Leonardo Costa, do Asa, o comunicado introduziu mudança relevante: a partir da próxima reunião, o Copom passará a considerar o primeiro trimestre de 2028 como horizonte principal. De acordo com Costa, essa alteração foi usada para sinalizar que diferentes trajetórias ainda podem permitir convergência da inflação com menor impacto econômico.

Ainda conforme avalia Costa, o Banco Central evitou assumir compromissos sobre futuras decisões, reiterando que a intensidade do ciclo de cortes será definida em cada encontro. “Na prática, trata-se de uma comunicação deliberadamente mais truncada, um texto duro no presente, mas com máxima opcionalidade para frente”, afirmou o economista.

A abordagem do Banco Central brasileiro contrastou com a do Federal Reserve, autoridade monetária dos Estados Unidos, que na estreia do novo presidente Kevin Warsh, publicou um comunicado com 140 palavras. O material, descrito como claro pelo mercado, destacou diferenças na estratégia de comunicação entre os dois bancos centrais.

Para Fernando Honorato Barbosa, economista-chefe do Bradesco, a reunião do Fed focou em coerência e clareza de comunicação, sem novidades em dados. Segundo Barbosa, o conteúdo foi “hawkish [linha-dura], mais do que esperado, indicando uma alta como próximo movimento e com revisões altistas no núcleo de inflação, incluindo 2027”.

O comunicado do Copom superou 800 palavras e buscou deixar em aberto possíveis ajustes nos próximos meses, alinhando-se a um contexto de incertezas econômicas. O próximo encontro do Copom está previsto para agosto e será acompanhado de perto por especialistas, que avaliam os sinais emitidos pela autoridade monetária brasileira.