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Confronto entre milícia e Comando Vermelho fecha escolas e postos em Rio das Pedras


Da redação

Tiroteios entre grupos armados deixaram moradores de Rio das Pedras, na zona oeste do Rio de Janeiro, em alerta na madrugada desta sexta-feira, 19. A onda de violência, investigada pela Polícia Civil, envolve suposta disputa entre milicianos e integrantes do Comando Vermelho desde quinta-feira, 18.

O confronto alterou o funcionamento de 12 linhas de ônibus na avenida Engenheiro Souza Filho, com circulação normalizada por volta das 9h. A Polícia Militar reforçou o policiamento na região para tentar retomar a segurança. Segundo relatos, a via chegou a ser bloqueada, e motoristas enfrentaram congestionamentos próximos ao condomínio Jardim Clarice.

Na quinta-feira, um ônibus foi usado como barricada durante os confrontos, conforme apurado. Além do transporte público, a escalada da violência afetou serviços essenciais. A Secretaria Municipal de Saúde informou que cinco unidades de atenção primária suspenderam temporariamente o atendimento, enquanto outras duas mantiveram apenas atividades internas.

No setor educacional, a Secretaria Estadual de Educação confirmou o fechamento de uma escola na área. A municipalidade relatou impactos em 16 escolas da rede. Segundo a investigação, o uso de ônibus como obstáculo teria objetivo de dificultar o avanço de facção rival e atrair a atenção das forças de segurança.

Ainda na quinta, agentes da Delegacia de Descoberta de Paradeiros localizaram um cemitério clandestino atribuído à milícia em uma área de mata no Sertão. No local, havia um poço de aproximadamente 20 metros de profundidade, onde foram encontrados dois corpos masculinos, um crânio e outros despojos humanos.

Apurações indicam que desde 2023 o Comando Vermelho busca assumir o controle de Rio das Pedras, território considerado “berço da milícia”, visando lucros do comércio local. Investigações apontam Edgard Alves de Andrade, conhecido como Doca, como principal líder da facção. O governo estadual incluiu a região em plano de reocupação encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, ainda sem data definida para início.