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Empresa de Ciro Nogueira vende fazenda por R$ 18,7 mi a offshore dos Emirados


Da redação

A empresa Fazendas Reunidas Nogueira Lima, ligada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), vendeu uma fazenda avaliada em R$ 18,7 milhões em Pedro 2º (PI) para a Arraf International, uma offshore dos Emirados Árabes Unidos, em março de 2025. A operação envolveu Gustavo Frazão, advogado que representa interesses de empresas do parlamentar.

A Arraf International foi constituída dois meses antes da compra, tendo endereço em uma caixa postal da zona franca de Sharjah, local conhecida pela ausência de transparência sobre sócios. Gustavo Frazão assinou o contrato de compra em nome da offshore e responde por mais de 20 processos de outra empresa de Ciro Nogueira.

Conforme registro oficial, Frazão é funcionário comissionado da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas da Prefeitura de Teresina, administrada por Eliane Nogueira Lima, mãe do senador. De acordo com a Polícia Federal, no mesmo período, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, transferiu ao menos R$ 6 milhões ao senador por meio de empresas a ele vinculadas.

Ciro Nogueira, por meio de sua assessoria, afirmou que “nem ele nem ninguém da família dele é proprietário de nenhuma empresa fora do Brasil”. O senador declarou ainda que a mãe seria a dona da Fazendas Reunidas, porém dados da Polícia Federal indicam que ele detém 99% do capital. Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador, oficializou a venda.

No histórico das empresas do senador, a CNLF e a Fazendas Reunidas Nogueira Lima também realizaram operações imobiliárias entre si e com empresas estrangeiras. Em abril de 2025, a CNLF vendeu imóvel por R$ 6,5 milhões para uma empresa relacionada a uma offshore das Ilhas Virgens Britânicas, cujo representante é Carlos Santana, amigo de Nogueira.

A Polícia Federal investiga se o senador recebia pagamentos mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil, além de despesas pessoais cobertas por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Entre as suspeitas está a atuação do parlamentar em favor dos interesses do banco no Congresso, como na chamada “emenda Master”, que ampliava o valor coberto pelo FGC.