Da redação
A vitória de Abelardo de la Espriella, representante da extrema direita, sobre Iván Cepeda, candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro, na Colômbia, provocou debates sobre impactos na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro no Brasil. O pleito colombiano ocorreu recentemente e chamou a atenção de analistas para o comportamento do eleitorado latino-americano.
Especialistas destacam a necessidade de ajustes estratégicos nas campanhas brasileiras. Segundo Guilherme Casarões, professor da Florida International University, Lula deve adaptar seu discurso para atrair eleitores de direita diante da possibilidade de radicalização por parte de Flávio Bolsonaro. Casarões afirma ser fundamental manter a comunicação eficiente durante toda a disputa.
Casarões avalia que confiar apenas em eventuais envolvimentos do oponente em escândalos pode ser arriscado. “Uma lição importante para Lula é que não dá para pensar que a eleição está ganha porque o oponente está envolvido em um escândalo de corrupção. É preciso continuar mantendo a narrativa e comunicando de maneira adequada”, declara o cientista político.
O especialista também aponta a relevância de apoios internacionais. Para Flávio Bolsonaro, conforme Casarões, a busca pelo respaldo de Donald Trump permanece estratégica. “Acho que Flávio vai continuar perseguindo esse apoio cada vez mais explícito”, diz. Casarões destaca que, na Colômbia, o envolvimento de Trump foi decisivo para a vitória da extrema direita.
Além disso, Casarões ressalta que a intensificação do discurso eleitoral pode favorecer candidaturas polarizadas, especialmente em pleitos com mais de um turno. Ele observa, contudo, diferenças do contexto brasileiro, citando a tentativa de golpe e a prisão de Jair Bolsonaro, mas prevê tendência de radicalização retórica da esquerda.
Rafael Henrique Dias Manzi, professor da Unialfa, observa que a alta polarização deixa pouco espaço para moderados. Ele aponta que pesquisas mostram um contingente restrito de eleitores indecisos, estimando que cerca de 10 milhões decidirão a eleição. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro buscam ampliar seu alcance nesse eleitorado.





