Da redação
Mais de mil casos confirmados de ebola foram registrados na República Democrática do Congo, segundo alerta do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. O surto, que afeta especialmente crianças e adolescentes, gerou uma crise humanitária sem precedentes no país africano. O anúncio foi feito nesta semana.
De acordo com o Unicef, cerca de 3 milhões de crianças e adolescentes de até 18 anos estão sob risco direto devido à disseminação do vírus e ao colapso de serviços essenciais. Dados divulgados apontam que menores representam aproximadamente 15% dos casos confirmados e mais de 25% das mortes registradas no surto atual.
Ainda segundo a agência, crianças infectadas apresentam quase o dobro de probabilidade de morrer em comparação com adultos. O impacto é agravado pela situação anterior à epidemia: na província de Ituri, epicentro da crise, mais da metade das crianças abaixo de cinco anos já sofria de desnutrição crônica e os índices de imunização são baixos.
A desnutrição intensifica o risco de letalidade do vírus. Os sintomas do ebola, semelhantes aos de doenças comuns como a malária, contribuem para atrasos no diagnóstico. O Unicef relatou também que 135 crianças órfãs na região recebem suporte psicossocial e encaminhamento para serviços de proteção social.
A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, ressaltou as dificuldades das crianças diante da perda dos pais e dos boatos e desinformação circulando online. A crise já atingiu Uganda, país vizinho, onde 20 casos e duas mortes foram confirmados, incluindo uma criança diagnosticada e 19 pessoas em quarentena.
O Unicef atua em parceria com os governos da RD Congo e de Uganda, sob coordenação da OMS e do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças. As ações principais envolvem rastreamento de contatos, controle de infecções, sepultamentos seguros e manutenção emergencial de serviços essenciais. Para os próximos seis meses, a agência estima a necessidade de US$ 70,7 milhões, sendo US$ 20 milhões ainda não financiados.





