Início Mundo Primeiro-ministro da China alerta para urgência na regulamentação da inteligência artificial

Primeiro-ministro da China alerta para urgência na regulamentação da inteligência artificial


Da redação

O primeiro-ministro da China, Li Qiang, alertou nesta quarta-feira, 24, que o mundo pode “perder o controle” sobre tecnologias avançadas como a inteligência artificial (IA) caso os governos demorem a regulamentar o setor. A declaração foi dada durante o “Encontro Anual dos Novos Campeões”, em Dalian, nordeste da China.

Li destacou o rápido avanço da tecnologia e enfatizou que a IA tem impulsionado “a eficiência da inovação”. Apesar disso, afirmou que os riscos já se tornaram evidentes. “Não podemos ignorar os riscos cada vez mais evidentes de perder o controle da tecnologia e de cometer faltas éticas”, disse. Segundo ele, a falta de governança pode gerar consequências graves.

O debate sobre inteligência artificial marcou a conferência promovida pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), com preocupações sobre impactos no mercado de trabalho e questões de segurança. Mirek Dusek, diretor-gerente do WEF, destacou em entrevista que a IA já abre novas oportunidades em áreas como educação e saúde, mas ressaltou o desafio de garantir que esses avanços beneficiem a economia real.

Além dos avanços tecnológicos, fatores geopolíticos, como a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, pressionam a economia global. Essa conjuntura adversa levou o Banco Mundial a revisar para baixo sua projeção de crescimento mundial, atingindo o menor patamar desde a pandemia de covid-19. Dusek classificou o cenário como “pouco animador”.

Li Qiang defendeu que a China atua como um “porto seguro” diante das atuais crises, como a escassez de energia e problemas nas cadeias produtivas. Segundo o premiê, o país “injetou uma valiosa dose de certeza em um mundo cada vez mais incerto”. No entanto, a China tem enfrentado desafios, como o consumo reduzido das famílias e crise de dívida imobiliária, o que limita seu crescimento.

O professor Graham Allison, da Kennedy School de Harvard, lembrou em Dalian o risco real de conflito entre China e Estados Unidos, evocando a chamada “armadilha de Tucídides”. Allison, contudo, avaliou que a aproximação recente entre os presidentes dos dois países sugere otimismo para evitar confronto, apesar das tensões diplomáticas e comerciais.