Início Policial Organizadora relata choque após morte de jovem em salto de rope jump

Organizadora relata choque após morte de jovem em salto de rope jump

Por Alex Blau Blau

Depoimento prestado à polícia revela que suspeita afirma ter ouvido a reação das pessoas e o impacto da queda, mas diz que não presenciou o momento do salto

A investigação sobre a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, ganhou novos elementos com a divulgação do depoimento de Evelyne dos Santos Gonçalves. Presa por suspeita de atrapalhar as investigações, ela afirmou à polícia que não viu o momento em que a vítima foi lançada da plataforma sem estar presa às cordas de segurança.

Segundo o relato prestado no próprio dia da tragédia, Evelyne explicou que estava responsável pelo cadastramento dos participantes e pelo atendimento aos próximos saltos, o que, segundo ela, a impedia de visualizar a plataforma. Ela contou que percebeu que algo grave havia acontecido ao ouvir gritos vindos do público.

Em seu depoimento, a investigada afirmou que escutou alguém gritando “meu Deus” e, logo em seguida, ouviu o barulho da queda. Ao levantar para verificar o que havia ocorrido, encontrou integrantes da equipe em estado de choque e afirmou que ainda não entendia o que havia acontecido naquele momento.

Ela também declarou que permaneceu na ponte após o acidente e negou que os instrutores tenham abandonado o local. Conforme seu relato, cerca de meia hora depois passou a ouvir os gritos do acompanhante da vítima e pediu auxílio por rádio para outros integrantes da equipe, dizendo que estava sozinha e precisava de apoio para compreender a situação.

A Polícia Civil, entretanto, investiga não apenas a responsabilidade pelo acidente, mas também possíveis tentativas de dificultar a apuração dos fatos. De acordo com as investigações, Evelyne era responsável pelo cadastro dos participantes e pela administração das redes sociais do grupo organizador do evento. Após a morte de Maria Eduarda, o perfil utilizado para divulgar os saltos foi apagado.

Ao todo, seis pessoas estão presas por envolvimento no caso. Três instrutores respondem por homicídio com dolo eventual, sob a acusação de terem assumido o risco de provocar a morte da jovem ao autorizarem o salto sem a fixação das cordas de segurança.

Outros investigados também passaram a ser alvo da polícia após a descoberta de que uma câmera de ação presa ao braço da vítima teria sido retirada do local logo após o acidente. Além disso, a investigação aponta indícios de exclusão de conteúdos digitais que poderiam contribuir para esclarecer a dinâmica dos fatos, circunstâncias que motivaram novas prisões temporárias e o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

A Polícia Civil segue reunindo provas para esclarecer todas as responsabilidades pelo acidente e pelas supostas tentativas de comprometer a produção de provas durante a investigação.