Início Policial Justiça aponta fraude em rifa de Porsche e condena Nego Di a...

Justiça aponta fraude em rifa de Porsche e condena Nego Di a mais de 14 anos de prisão

Por Alex Blau Blau

Sentença afirma que influenciador simulou a existência de uma vencedora para evitar a entrega do veículo e utilizou documentos falsos para obter vantagens financeiras

A condenação do influenciador Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, revelou novos detalhes sobre um esquema de rifas ilegais que, segundo a Justiça, lesou milhares de pessoas e movimentou milhões de reais. Entre os fatos destacados na sentença está a conclusão de que a suposta ganhadora de um automóvel de luxo jamais existiu e que a divulgação do resultado foi simulada para dar aparência de legalidade ao sorteio.

De acordo com a decisão judicial, o influenciador utilizava rifas promovidas nas redes sociais para oferecer prêmios de alto valor, entre eles um veículo avaliado em cerca de R$ 500 mil. As investigações concluíram que uma personagem identificada como Silmara Noeli foi criada apenas para representar uma falsa vencedora, permitindo que o prêmio nunca fosse entregue.

Segundo o Ministério Público, o esquema possibilitava ao responsável controlar o resultado das rifas, já que não havia datas previamente definidas para os sorteios. Com isso, seria possível verificar números sem compradores e direcionar o resultado para evitar a entrega dos bens anunciados.

Pela decisão da Justiça, Nego Di foi condenado a 14 anos e 6 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal. A sentença também impôs uma pena adicional de 1 ano e 15 dias pelo funcionamento irregular das rifas.

A esposa do influenciador, Gabriela Vicente de Sousa, também foi condenada. Ela recebeu pena de 8 anos e 4 meses de prisão em regime fechado por lavagem de dinheiro. Conforme a sentença, sua participação foi considerada essencial para movimentar recursos e dar aparência de legalidade às operações financeiras realizadas pelo casal.

As investigações apontam que, entre novembro de 2022 e maio de 2024, foram promovidos ao menos 34 sorteios divulgados nas redes sociais. A Justiça concluiu que mais de 9,6 mil pessoas foram prejudicadas, com prejuízo estimado em R$ 185,3 mil, enquanto a movimentação financeira do esquema ultrapassou R$ 2,5 milhões.

Outro ponto destacado no processo foi a divulgação de um comprovante de doação adulterado durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Conforme a decisão, o influenciador afirmou publicamente ter destinado R$ 1 milhão para ajudar as vítimas da tragédia, mas a investigação constatou que a transferência realizada foi de apenas R$ 100. O valor teria sido alterado digitalmente antes da publicação nas redes sociais para aumentar sua repercussão e fortalecer sua imagem perante o público.

A sentença ainda descreve um sistema de ocultação de recursos obtidos de forma ilícita por meio da utilização de contas bancárias de terceiros, da empresa do casal e de movimentações financeiras sucessivas, dificultando o rastreamento dos valores. Segundo o magistrado responsável pelo caso, a estrutura demonstrou organização e planejamento, afastando a hipótese de irregularidades isoladas.

A defesa de Nego Di não havia se manifestado sobre a condenação até a divulgação da decisão. Além desse processo, o influenciador também responde a outra ação judicial relacionada às atividades de uma loja virtual administrada por ele.