Da redação
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou na quarta-feira, 24, um plano de investimentos que prevê US$ 2,3 trilhões, cerca de 370 trilhões de ienes, em recursos públicos e privados até o final do ano fiscal de 2040. O objetivo é fortalecer o crescimento econômico e a segurança do país.
O programa contempla 17 setores estratégicos, como inteligência artificial, cibersegurança, energia e indústria farmacêutica. Entre esses, estão previstos 101,6 trilhões de ienes especificamente para IA e semicondutores. No entanto, não há informações detalhadas sobre a divisão entre investimentos públicos e privados.
Sanae Takaichi afirmou que “as forças estruturais do Japão – refletidas em indicadores como inovação tecnológica e eficiência do trabalho – são plenamente competitivas com as de outras nações”. Segundo ela, o elemento que falta ao país é o investimento doméstico para impulsionar o potencial de crescimento.
Entre os economistas, a reação foi dividida. Takuji Aida, do Crédit Agricole, avaliou que o plano pode estimular o investimento empresarial e contribuir para a saída do Japão da estagnação econômica até 2028. Outros analistas, porém, expressaram dúvidas quanto à eficácia da iniciativa e seu impacto sobre o equilíbrio fiscal.
Takahide Kiuchi, economista do Nomura Research Institute, estimou que, mantidos desembolsos anuais de 10 trilhões de ienes e inflação de 2%, o gasto entre 2027 e 2040 seria de 160 trilhões de ienes, equivalente a 43% do total projetado. Ele ponderou que “tal intervenção estatal pode distorcer o mercado e enfraquecer a posição fiscal do país”.
O crescimento da dívida pública japonesa já preocupa investidores, refletido no rendimento do título de dez anos, que atingiu 2,8% no mês passado, o maior em quase 30 anos. Para Koji Hamada, da Daiwa Securities, as preocupações fiscais devem persistir nos mercados, e espera-se aumento na emissão de títulos públicos para financiar o plano.





