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Brasil vê tarifas dos EUA como movimento político ligado às eleições de 2026


Da redação

O governo brasileiro negocia com representantes dos Estados Unidos um possível acordo para evitar a aplicação de tarifas extras de 25% sobre produtos do Brasil. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a posição brasileira é de que tais medidas configuram “tentativa de interferência externa na justiça brasileira”. O governo afirma atuar pelos canais oficiais de interlocução para demonstrar que as políticas nacionais não prejudicam o comércio bilateral.

As negociações ocorrem enquanto cresce a avaliação de que o tarifaço imposto pelos EUA tem motivação política, inserida no contexto das próximas eleições presidenciais no Brasil. Segundo interlocutores, Washington teria interesse em não favorecer o governo brasileiro em véspera de disputa eleitoral. O vice-presidente Geraldo Alckmin criticou iniciativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto aos EUA, declarando que “são maus brasileiros que trabalharam contra o Brasil e agora estão tentando remediar o que foi feito”.

De acordo com o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), as tarifas resultam de investigação fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O órgão argumenta que o Brasil adota práticas comerciais consideradas “desleais”, incluindo suposto favorecimento a empresas brasileiras e restrições ao mercado de pagamentos, como o Pix. O prazo para decisão sobre a aplicação das tarifas é 15 de julho.

O governo brasileiro tem reiterado que a tarifa média aplicada sobre produtos dos EUA é de 2,7%, e rejeita a alegação de prejuízo às empresas norte-americanas. Segundo o Itamaraty, a medida expressa unilateralismo e protecionismo de Washington. A política de segurança nacional do ex-presidente Donald Trump reconhece a América Latina como área de influência dos EUA e cita a eleição brasileira como “grande teste” para a região.