Da redação
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou à Polícia Federal a elaboração de um documento com análise de mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A ordem foi apresentada de surpresa aos policiais federais, em reunião realizada sob solicitação de Mendonça, de acordo com investigadores. O despacho exigiu que a PF identificasse, em setenta e duas horas, todas as pessoas mencionadas em mensagens encontradas no celular de Vorcaro, incluindo autoridades com foro no STF.
Segundo integrantes da corporação, a decisão causou desconforto e temor entre investigadores, que avaliaram o avanço sobre Moraes e outras autoridades — como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — como possível excesso, arriscando a anulação de apurações relacionadas ao Banco Master. Há preocupação de que a análise das conversas seja interpretada como o início de investigação sobre Moraes sem autorização do plenário do Supremo. A crise interna foi agravada pela ordem de identificar detentores de foro.
Paulo Gonet, citado nas mensagens analisadas a pedido de Mendonça, pediu a nulidade da decisão, afirmando que o ministro não pode se utilizar “da polícia judiciária como sua longa manus para atividades que não lhe foram assinaladas” e que a ordem foi dada “sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial”. O ministro André Mendonça, procurado para comentar, não se manifestou.
O material da PF, tornado público nesta terça-feira (1º), revelou trocas de mensagens entre Vorcaro e Moraes, incluindo um questionamento do ex-banqueiro sobre deixar o país dias antes de sua prisão. Parte desses diálogos já havia aparecido em apurações do caso Master que envolviam suspeitas sobre integrantes do STF, como Dias Toffoli, e motivaram mudanças na relatoria do processo, posteriormente arquivado pelo presidente do Supremo, Edson Fachin.




