Por Alex Blau Blau
Registro policial apontava episódios de ameaças e ciúmes excessivo antes do feminicídio; suspeito permanece preso preventivamente
O assassinato de uma estudante de medicina em Barbacena, em Minas Gerais, ganhou novos desdobramentos com a confirmação de que a vítima já havia procurado a polícia meses antes para denunciar ameaças atribuídas ao então namorado. O caso reforça o debate sobre a importância das medidas de proteção às mulheres vítimas de violência.
A vítima, Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, de 40 anos, foi morta no último sábado. Conforme a investigação, ela sofreu mais de 100 golpes de faca. O crime é apurado como feminicídio.
Segundo informações da investigação, Letícia registrou um boletim de ocorrência em fevereiro deste ano relatando que sofria ameaças e convivia com um comportamento de ciúmes excessivo por parte do namorado, Gustavo Dutra Lima, de 25 anos. Os dois estudavam na mesma turma do curso de medicina.
Após o crime, Gustavo foi localizado e preso na cidade de Bom Jardim de Minas, a cerca de 180 quilômetros de Barbacena. Durante a audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva. Atualmente, ele permanece detido no presídio de São João del Rei.
A motivação do crime ainda não foi oficialmente esclarecida. A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que detalhes da apuração permanecem sob sigilo para não comprometer o andamento do inquérito.
Natural de Montes Claros, Letícia estava na fase final da graduação em medicina. No ano passado, ela comemorou nas redes sociais a conclusão do Trabalho de Conclusão de Curso, etapa que antecede a formação acadêmica.
A morte da estudante provocou grande comoção entre colegas, professores e familiares. Em manifestações públicas, amigos a descreveram como uma pessoa dedicada, gentil e muito querida por todos que conviviam com ela, além de destacar seu compromisso com a família.
O sepultamento ocorreu na segunda-feira, em Barbacena, reunindo familiares, amigos e integrantes da comunidade acadêmica.
O caso volta a chamar atenção para a violência contra a mulher e para a necessidade de fortalecimento das políticas de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas que denunciam ameaças e outras formas de violência antes que situações como essa evoluam para desfechos irreversíveis.



