Da redação
A restrição ao uso de celulares em unidades de ensino públicas e privadas se tornou realidade nacionalmente, conforme pesquisa do Ministério da Educação realizada com 8.189 escolas. Segundo o levantamento, 92% das instituições conseguiram implementar a medida, com relatos de melhorias na participação dos estudantes e na redução de ansiedade, conflitos digitais e cyberbullying.
O estudo, desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, a Unesco e o Instituto Alana, aponta, porém, desafios persistentes. Entre os gestores, 39% relatam alta dificuldade de engajamento dos alunos e infraestrutura para guardar aparelhos, enquanto 31% enfrentam obstáculos na fiscalização durante aulas e intervalos.
De acordo com a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Kátia Schweickardt, o levantamento demonstra impacto positivo na socialização dos alunos. Ela afirmou que “os resultados são importantes na re-humanização do papel da escola” e ressaltou que não há proibição do uso de tecnologia para fins pedagógicos. Segundo o estudo, 86% dos gestores ampliaram ou mantiveram atividades digitais.
O levantamento ouviu apenas diretores de escolas, e uma nova etapa incluirá os professores. Não há dados sobre desempenho acadêmico nesta pesquisa, mas, conforme Kátia, a mudança no comportamento já indica benefícios. Um estudo da Universidade de Stanford identificou que estudantes da rede municipal do Rio de Janeiro tiveram aumento médio de 25,7% em Matemática e 13,5% em Língua Portuguesa no ano letivo de 2024 após a proibição dos aparelhos, segundo Guilherme Lichand, pesquisador da instituição.



