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Ministério Público prende 11 advogados suspeitos de transmitir ordens de facções no Ceará


Da redação

Uma operação do Ministério Público do Ceará prendeu 11 advogados suspeitos de atuar como intermediários de chefes de facções criminosas presos, transmitindo ordens a integrantes das organizações em liberdade. A ação cumpriu 29 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão em cidades do Ceará e em São Paulo. Uma advogada residente em São Paulo é considerada foragida. Os nomes dos investigados não foram divulgados.

Segundo a Promotoria, os advogados extrapolavam o exercício da profissão e funcionavam como mensageiros durante visitas à Unidade Prisional de Segurança Máxima do Ceará. As mensagens incluíam ordens e orientações destinadas a familiares, outros detentos e membros das facções, tratando da reorganização das organizações, expansão territorial, alianças, compra de armas e circulação de drogas.

A investigação teve início após autorização do Tribunal de Justiça para captação de áudio e vídeo nos parlatórios da penitenciária, entre 8 de dezembro de 2025 e 15 de janeiro deste ano. Conforme o Ministério Público, as gravações revelaram um padrão de conversas codificadas entre advogados e detentos, que mesmo presos continuavam exercendo funções de comando. O bloqueio de R$ 20 milhões nas contas dos investigados também foi solicitado.

Durante a operação foram apreendidos uma Range Rover blindada, celulares, notebooks e joias com os suspeitos. De acordo com os investigadores, os advogados monitorados mantinham vínculos entre si, mencionavam uns aos outros nos diálogos e atendiam repetidamente os mesmos presos, indicando, segundo o Ministério Público, a existência de uma rede estruturada para o repasse de mensagens. Até o momento, a Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará não se manifestou sobre eventuais medidas disciplinares.