Da redação
O Brasil possui recursos suficientes para participar do mercado global de terras raras, conforme estudo Terras Raras no Brasil: Estado da Arte, Cenários e um Mapa do Caminho Estratégico para 2026–2040, elaborado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) a pedido do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Os resultados foram apresentados no VII Seminário Brasileiro de Terras Raras, no Rio de Janeiro. Os pesquisadores apontam que o desafio central é construir capacidades industriais, já que o maior valor econômico desses elementos está nas etapas de refino e metalurgia.
De acordo com o estudo, o papel estratégico da Amazônia se destaca pelas reservas de argilas de adsorção iônica, consideradas fonte de longo prazo para a posição brasileira no setor além de 2040. “O Brasil reúne algumas das maiores reservas minerais do planeta, tem uma base científica consolidada, instituições de excelência e recursos humanos altamente qualificados”, afirmou a ministra do MCTI, Luciana Santos, na abertura do evento.
O documento indica que a próxima década será fundamental para definir se o país atuará apenas como fornecedor de matérias-primas ou se integrará a nova economia global das terras raras. Luciana Santos ressaltou: “A verdadeira riqueza não está apenas no que existe no subsolo. Ela está na nossa capacidade de transformar esses recursos em conhecimento, tecnologia, inovação, produtos de alto valor agregado e desenvolvimento para a sociedade brasileira”.
Além do mapeamento de reservas e análise de mercado, o CGEE propôs um percurso estratégico para orientar políticas públicas, investimentos, desenvolvimento tecnológico e coordenação institucional nos próximos 15 anos. O estudo aborda como o país pode converter recursos naturais em capacidades industriais, tecnológicas e geopolíticas. As terras raras são compostas por 17 elementos químicos essenciais para tecnologias de transição energética, transformação digital e indústrias, presentes em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos médicos e eletrônicos avançados. O Seminário Brasileiro de Terras Raras é promovido pelo Centro de Tecnologia Mineral, unidade ligada ao MCTI, com apoio do Ministério de Minas e Energia, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.




