Da redação
A relação entre o futebol brasileiro e a política é marcada por tentativas de governos de associarem suas imagens ao sucesso da seleção nacional. Segundo registros históricos, presidentes como Juscelino Kubitschek, Emílio Garrastazu Médici, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso celebraram títulos mundiais, buscando capitalizar a euforia popular gerada pelas conquistas esportivas.
No entanto, conforme indicam dados eleitorais e análises de especialistas, as vitórias da seleção brasileira nas Copas do Mundo não se converteram em aumento de votos para candidatos apoiados pelo governo. Após o título de 1958, por exemplo, o candidato situacionista Henrique Teixeira Lott foi derrotado por Jânio Quadros na eleição seguinte. Em 1970, durante o governo Médici, a associação entre política e futebol foi intensificada por meio de propaganda ufanista, mas a vitória governista nas urnas também foi influenciada pelo chamado “Milagre Econômico” e pela cassação de lideranças opositoras.
Levantamentos mostram que sequer em períodos de ampla popularidade dos campeões, como na conquista do pentacampeonato em 2002, houve impacto eleitoral significativo em favor do governo. Naquele ano, mesmo após manifestações de apoio no país e recepção oficial no Palácio do Planalto, o oposicionista Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o governista José Serra (PSDB) na eleição presidencial.
Na última década, a camisa amarela da seleção passou a simbolizar posições políticas, sendo adotada por apoiadores de Jair Bolsonaro. De acordo com relatos de simpatizantes de esquerda, muitos evitavam usar a peça. Neste ano, Lula busca resgatar o uso do uniforme pelos seus eleitores, antes da próxima disputa eleitoral.




