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São Paulo discute reúso de esgoto após atingir 10% do mínimo de água


Da redação

A Região Metropolitana de São Paulo, com 21 milhões de habitantes distribuídos entre a capital e 38 municípios vizinhos, enfrenta uma escassez crônica de água devido à sua localização sobre as cabeceiras de rios. Cada morador da Bacia do Alto Tietê recebe menos de dez por cento do volume anual recomendado pela Organização das Nações Unidas, sendo necessário importar mais de cinquenta por cento da água consumida de outras bacias.

Segundo o Diagnóstico PMSAI-SP, elaborado por técnicos do município e do ONU-Habitat, o plano para os próximos vinte anos prevê estratégias para ampliar o reúso de efluentes tratados. A expectativa é alcançar 9,2% de reúso em relação ao total consumido até 2045, contemplando a recarga de mananciais, indústria, construção civil e limpeza urbana. O estudo também sugere incentivos para consumidores que aderirem à reutilização, de acordo com Amanda de Almeida Ribeiro, coordenadora de Segurança Hídrica da Prefeitura.

O documento destaca ainda que o aumento das temperaturas médias pode elevar em quase vinte e cinco por cento a demanda por água para cada grau adicional, agravando o risco de colapso sistêmico em períodos de estiagem, segundo Lucas Daniel Ferreira, do ONU-Habitat. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) considera exagerada esta projeção, afirmando que elevações de consumo em dias quentes raramente superam cinco por cento, conforme Marco Antonio Lopez Barros, diretor-corporativo da empresa.

A ausência de legislação específica sobre reúso potável no estado é apontada como um dos principais entraves pelo PMSAI-SP. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) passou a definir, desde 2022, critérios técnicos para o monitoramento e qualidade desse tipo de reúso, mas ressalta que a autorização depende de licenciamento individual.