Por Alex Blau Blau
Valor desembolsado até o início de julho supera todos os registros do mesmo período em anos de eleições desde 2016
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu um novo recorde na liberação de emendas parlamentares em ano eleitoral. Entre janeiro e a primeira semana de julho de 2026, foram pagos R$ 33,89 bilhões a deputados e senadores, o maior volume registrado para esse intervalo desde o início da série histórica disponível.
O montante supera os valores liberados no mesmo período das últimas cinco eleições, tanto municipais quanto gerais. Em 2024, os repasses somaram R$ 29,40 bilhões. Em 2022, chegaram a R$ 23,70 bilhões. Já em 2020, o total foi de R$ 15,54 bilhões. Em 2018, os pagamentos alcançaram R$ 6,88 bilhões, enquanto em 2016 ficaram em R$ 1,41 bilhão.
Os recursos liberados até o começo de julho deste ano representam aproximadamente 75 por cento de tudo o que foi pago em emendas parlamentares ao longo de 2025, quando o total alcançou R$ 44,97 bilhões.
Na comparação com o último ano de eleição presidencial, o crescimento também chama atenção. Em 2022, foram desembolsados R$ 28,04 bilhões durante todo o ano, valor inferior ao que já foi pago apenas até o início de julho de 2026.
Do total liberado neste ano, R$ 18,55 bilhões correspondem às emendas individuais apresentadas por deputados federais e senadores. As emendas de comissão somam R$ 7,68 bilhões, enquanto as emendas de bancada estadual totalizam R$ 7,28 bilhões.
Também houve pagamento de R$ 386,05 milhões referentes a emendas de relator aprovadas em exercícios anteriores. Esses recursos permanecem sendo executados mesmo após a decisão do Supremo Tribunal Federal que, em 2022, proibiu a utilização desse mecanismo para novas despesas discricionárias.
Desde o último sábado, passaram a valer as restrições do período eleitoral previstas na legislação. Com o início desse prazo, a administração pública fica impedida de realizar novas transferências voluntárias, incluindo o pagamento de emendas parlamentares, salvo nas hipóteses autorizadas pela legislação.
Além dessa limitação, agentes públicos passam a cumprir regras mais rígidas relacionadas à publicidade institucional, inauguração de obras, divulgação de ações governamentais e outras medidas destinadas a assegurar equilíbrio entre os candidatos durante o processo eleitoral.




