Por Alex Blau Blau
Ministério Público afirma que religioso utilizava a posição de autoridade para constranger a vítima e praticar atos sem consentimento entre 2019 e 2023
A Justiça de São Paulo recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou réu o ex bispo da Diocese de Catanduva, Valdir Mamede, acusado de importunação sexual contra um padre. O processo tramita em segredo de Justiça por decisão da 2ª Vara Criminal e Anexo da Infância e da Juventude da Comarca de Catanduva.
De acordo com a acusação, os fatos teriam ocorrido entre os anos de 2019 e 2023. O Ministério Público sustenta que o então bispo se aproveitava da posição de liderança religiosa para constranger um padre subordinado e praticar atos de natureza sexual sem o consentimento da vítima.
As investigações apontam que os episódios aconteceram tanto na Residência Episcopal de Catanduva quanto na Paróquia de São Sebastião, localizada no município de Ibirá. O boletim de ocorrência foi registrado pelo padre em março de 2024.
Segundo a denúncia, o religioso fazia ameaças relacionadas à carreira e ao exercício do sacerdócio para intimidar a vítima, afirmando que poderia aplicar punições canônicas caso suas vontades não fossem atendidas.
O Ministério Público descreve diversos episódios que, segundo a acusação, ocorreram ao longo do período investigado. Entre eles estão pedidos para que o padre realizasse procedimentos de depilação corporal, ocasião em que o ex bispo permanecia sem roupas. Também foram relatados um beijo forçado, chamadas de vídeo com conteúdo de natureza sexual e uma invasão à residência da vítima, quando o acusado teria tentado novo contato físico sem consentimento.
Ainda conforme a investigação, após um dos episódios o padre recolheu material biológico deixado em um lençol e o encaminhou para perícia. O laudo pericial apontou que o material analisado era compatível com um indivíduo do sexo masculino.
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público requereu que o ex bispo seja condenado ao pagamento de indenização mínima de R$ 300 mil por danos morais. Também foram solicitadas medidas cautelares para impedir qualquer contato com a vítima e testemunhas, incluindo o afastamento de locais ligados ao caso e outras restrições que serão analisadas pela Justiça.
Valdir Mamede deixou o comando da Diocese de Catanduva em novembro de 2023. Os motivos da renúncia não foram divulgados na ocasião. Até o momento, a defesa do ex bispo não teve posicionamento apresentado no processo conforme as informações disponíveis.




