Da redação
A capacidade de elucidar homicídios nos estados brasileiros está associada a fatores socioeconômicos, como renda domiciliar per capita, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), nível de urbanização e anos de escolaridade, além de características criminais, como uso de armas de fogo e perfil das vítimas, segundo relatório do Instituto Sou da Paz. Foram analisados dados dos estados a partir de metodologia estatística de regressão, sem relação de causa e efeito, para identificar as variáveis que mais acompanham o esclarecimento dos casos.
O estudo indica que maiores índices de renda, urbanização, IDH e escolaridade se relacionam positivamente à resolução de homicídios. Em contrapartida, desigualdade social, alto analfabetismo, desocupação e predomínio do uso de armas de fogo dificultam a elucidação. “Ambientes marcados por elevados níveis de violência, desigualdade e exclusão social impõem obstáculos adicionais ao esclarecimento dos crimes”, afirmou o Instituto Sou da Paz, citando como desafios a produção de provas, localização de testemunhas e cooperação comunitária.
Em relação aos estados, Goiás (86%), Distrito Federal (81%) e Minas Gerais (75%) apresentam os melhores índices de elucidação, enquanto Rio Grande do Norte (9%), Bahia (14%), Piauí (23%) e Rio de Janeiro (23%) aparecem entre os menores, conforme média de 2020 a 2023. O levantamento destaca Rondônia, com proporção próxima de 70%, associada à continuidade investigativa, e diferenças marcantes em São Paulo e no próprio Rio Grande do Norte na comparação com o contexto socioeconômico local.
O Ministério da Justiça reconheceu a elucidação dos homicídios como desafio e informou a regulamentação de índices nacionais para monitoramento das polícias judiciárias, prevendo medidas como adequação dos sistemas estaduais e validação das informações. A Polícia Civil do Rio Grande do Norte apontou aumento no índice de esclarecimento, chegando a 33,93% em 2025. Já a Secretaria da Segurança paulista informou que 51% dos inquéritos com autoria desconhecida foram resolvidos em 2025, com a ampliação de equipes e uso de inteligência artificial entre as estratégias.





