Da redação
Cada aumento de 0,1°C na temperatura média global pode provocar prejuízo de pelo menos R$ 5,6 bilhões ao Brasil devido a desastres naturais, segundo estimativa do Guia da Indústria para Adaptação à Mudança do Clima, lançado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O guia apresenta um plano para reduzir riscos físicos e de transição no setor industrial.
De acordo com o documento, entre 1991 e 2023, o país registrou mais de 64 mil desastres naturais, metade deles ocasionados por secas. Foram identificados três subsetores industriais mais expostos: óleo e gás, alimentos e têxtil. Para o setor de óleo e gás, o guia recomenda reforço da infraestrutura contra tempestades e elevação do nível do mar, além da diversificação para energias renováveis.
Na cadeia de alimentos, secas e ondas de calor ameaçam a produtividade, sendo sugeridas a agricultura regenerativa e o uso de meteorologia de precisão como alternativas. O setor têxtil, que depende de grandes volumes de água, é orientado a adotar reúso hídrico, eficiência energética e economia circular para minimizar impactos climáticos.
O guia detalha ainda a agenda de transição regulatória, com destaque para o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), criado pela Lei nº 15.042/25. Segundo a CNI, indústrias que não cumprirem metas de descarbonização enfrentarão custos extras, enquanto empresas que superarem as exigências poderão comercializar créditos. Para Roberto Muniz, diretor da CNI, “este plano é um instrumento de transformação, que posiciona a indústria brasileira como protagonista na agenda climática global”. O documento também menciona o powershoring, que visa atrair investimentos por meio de energia limpa, e o uso de instrumentos financeiros verdes para modernização industrial.




