Da redação
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o afastamento cautelar e imediato da desembargadora Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-17). Segundo o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, há registros audiovisuais e notícias na mídia especializada indicando que a magistrada utilizou “tom jocoso, deboche e excessos verbais” direcionados à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB-ES), magistrados de primeira instância e advogados.
O episódio ocorreu durante julgamento de proposta de reestruturação administrativa do TRT-17. Segundo a apuração, Marise Medeiros teria se manifestado de forma agressiva e aos gritos contra a OAB-ES, que solicitava participação no processo. Ao rebater a Ordem, a desembargadora declarou: “vocês continuem se ferrando, trabalhando feito uns animais. Porque é isso que a gente faz!”. A OAB-ES considerou o pronunciamento de “gravidade agigantada”, visto o “descontrole institucional” e termos considerados “aviltantes e desumanizadores”.
Além do afastamento, Campbell proibiu o acesso da desembargadora às dependências do TRT-17, suspendeu suas credenciais de sistemas internos e prerrogativas do cargo, mantendo o salário até deliberação final do plenário do CNJ. O corregedor apontou ter identificado “postura desalinhada com os deveres dos magistrados”. Segundo ele, a permanência da magistrada representaria risco à ordem das sessões e à integridade psicológica dos envolvidos, citando “repetidos escândalos e desvios de conduta apurados”.
Marise Medeiros também responde a outro Processo Administrativo Disciplinar no CNJ, instaurado para apurar supostas ofensas e ameaças a colegas magistrados por mensagens. O Conselho já referendou medida cautelar que impede a desembargadora de concorrer e exercer cargos diretivos ou de gestão no TRT-17. O TRT-17 lamentou o episódio e informou que tomará “as medidas administrativas adequadas ao caso”.




