Por Alex Blau Blau
Cartas enviadas ao Ministério das Relações Exteriores relatam intimidação, assédio e pedem proteção para funcionários durante investigação administrativa
Funcionários do Consulado Geral do Brasil em Hong Kong encaminharam duas cartas coletivas ao Ministério das Relações Exteriores denunciando supostos episódios de perseguição, intimidação e abuso na condução administrativa do posto diplomático. Os documentos apontam o embaixador Wladimir Valler Filho e o conselheiro Hervelter de Mattos como responsáveis por práticas que, segundo os relatos, comprometeram o ambiente de trabalho e geraram temor entre os servidores.
As manifestações foram enviadas em março e abril deste ano e pedem a adoção de medidas para apurar os fatos, além de garantir proteção aos funcionários contra possíveis retaliações. De acordo com os signatários, decisões passaram a ser tomadas de forma unilateral, sem diálogo com a equipe, criando um clima de insegurança, desmotivação e silêncio entre os servidores.
Entre as acusações dirigidas ao embaixador estão o cumprimento de jornada reduzida, viagens particulares durante dias úteis e mudanças na estrutura de trabalho que teriam retirado atribuições de servidoras sem justificativa. Uma das funcionárias posteriormente foi transferida para a Secretaria de Estado das Relações Exteriores, situação que os autores das cartas afirmam ter aumentado o receio de represálias.
As denúncias também alcançam o conselheiro Hervelter de Mattos, acusado de utilizar apelidos considerados ofensivos para se referir a colegas e de adotar postura intimidatória no relacionamento com servidores. Os relatos ainda mencionam orientações para ignorar mensagens eletrônicas institucionais e apontam problemas na administração de setores considerados estratégicos do consulado, incluindo a área cultural, onde dezenas de solicitações permaneceram sem resposta por meses.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores confirmou que recebeu as denúncias encaminhadas pelo Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores e informou que o caso foi analisado pela Corregedoria do Serviço Exterior. Segundo a pasta, o procedimento investigativo resultou na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta pelos denunciados. O ministério também declarou que a transferência de uma das servidoras mencionadas nas cartas não teve relação com a investigação em andamento.




