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Lula divulga nota oficial e reage ao tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros

Por Alex Blau Blau

Presidente afirma que medidas norte americanas são injustificáveis, anuncia reação com base na Lei da Reciprocidade e promete recorrer à Organização Mundial do Comércio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou uma nota oficial em que condena a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25 por cento sobre produtos brasileiros. Na manifestação, o Palácio do Planalto classifica a medida como um marco negativo nas relações entre os dois países e afirma que a sobretaxa não possui justificativa econômica ou comercial.

Segundo o governo brasileiro, dados das próprias autoridades norte americanas mostram que os Estados Unidos acumularam, ao longo dos últimos quinze anos, um superávit de mais de 424 bilhões de dólares no comércio de bens e serviços com o Brasil. A nota também destaca que, em 2025, a maior parte das importações provenientes dos Estados Unidos entrou no país sem incidência de imposto de importação, enquanto a alíquota média aplicada aos produtos norte americanos foi de 3,1 por cento.

O documento informa ainda que o Brasil atuou durante o último ano junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos para contestar as investigações baseadas na Seção 301 da legislação comercial norte americana. O governo afirma que apresentou argumentos para rebater as acusações relacionadas ao Pix, às plataformas digitais e ao combate ao desmatamento, defendendo que as alegações não encontram respaldo nos fatos.

Outro ponto ressaltado é que, nas audiências públicas promovidas pelo governo dos Estados Unidos, a maioria das manifestações de representantes do setor produtivo brasileiro e norte americano teria sido contrária à adoção das novas tarifas.

Como resposta, o governo anunciou que dará início aos procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e voltará a discutir o caso no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. Paralelamente, informou que continuará buscando novos mercados internacionais, ampliando acordos comerciais e adotando medidas para proteger os setores mais afetados pela decisão norte americana.

Na parte final da nota, o governo atribui a escalada da crise comercial à atuação política da família Bolsonaro, afirmando que integrantes do grupo defenderam ações prejudiciais ao Brasil por interesses eleitorais. O texto conclui reforçando que a defesa da soberania nacional deve estar acima de disputas partidárias e que o país manterá sua posição em defesa dos interesses brasileiros.